Estatua divindade hindu Shiva para a festa do dia de Shiva Maha Shivaratri

Maha Shivaratri - como aproveitar a abertura cósmica do dia de Shiva

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Se eu pudesse, eu voltaria a estudar no ensino fundamental. Seria uma experiência incrível rever histórias, ideias e conceitos que vi numa época da minha vida em que eu mal sabia o que era vida. 


É tão fácil olhar para trás na história e ver o que grandes personagens fizeram ou descobriram nos campos da Ciência. Mas, hoje, parando para pensar, me colocando no lugar deles… Foram épocas em que só havia perguntas sem respostas. De onde viemos? O que eu tenho que fazer? Etc. 


E, para mim, humano do século XXI, é tão fascinante que a distância entre o que as culturas antigas diziam e o que a Ciência moderna diz esteja diminuindo cada vez mais. É interessante ver como as narrativas estão se repetindo.

Shiva, o Segredo de Tudo

Charles Darwin presenteou a humanidade com sua obra “A Origem das Espécies” em 1859. Até então, a pergunta “de onde viemos?” ecoava entre as gerações sem uma resposta conclusiva. Só em 2017, quando uma pesquisa conseguiu comprovar algo que Carl Sagan dizia no século passado: 


“somos feitos de poeira estelar”

é que nós tivemos um ponto de apoio mais sólido para começar a silenciar uma das perguntas que mais perturbaram filósofos e cientistas por anos a fio.


A Índia, enquanto república, é uma criança com pouco mais de 70 anos de idade. Seu povo e sua cultura, por outro lado, estão por aqui há milênios, são anciões que sabem mais do que imaginamos, mestres que têm esta resposta há muito, muito tempo. 


Ao longo dos séculos, a vida social transformou o estilo de vida dos indianos, mas pelos quatro cantos do país, diversas festas anuais ainda são celebradas.


Uma destas grandes festas é a Maha Shivaratri, a “Grande Noite de Shiva”. A (grande) noite de lua nova, o portal que abre diante de nós para o novo.

MAHA SHIVARATRI

Maha, “grande”
Shiv, “Lord Shiva”
Ratri, “noite”

Apesar de o evento acontecer uma vez por vez (Shivatri), afinal, todo mês tem uma lua nova, uma destas vezes é mais especial. A princípio, este dia é só uma homenagem ao deus Shiva. Mas, olhando de perto, é um dia em que nós podemos expandir a consciência e despertar o nosso próprio divino. 


Esta celebração parte do princípio que o nosso corpo físico surgiu a partir da terra (e este é o ponto que me intriga: como este povo sabia de algo que a Ciência só descobriu há tão pouco tempo?), nós e a Terra somos vistos como uma coisa só.


A partir desta perspectiva, acredita-se que tudo o que acontece no nosso sistema solar tem o poder de nos influenciar, afinal, somos parte deste mesmo sistema.

guru rosto pintado

Os efeitos de Maha Shivaratri

Na noite de Maha Shivratri – que em 2022 do nosso calendário, acontece no dia 1º de março –, por causa da inclinação da Terra em sua rotação, uma grande quantidade de energia atinge nosso planeta, principalmente no hemisfério norte. 

Para aproveitar este evento, 
entramos em contato com o divino interno.

As plantas mudam de comportamento, o mar se levanta... coisas acontecem! Como dizia aquela música “se a lua toca no mar, ela pode nos tocar desculpa, nova geração, somos cringe. Brincadeiras à parte, o convite para reflexão é: 

ૐ 

Se esta energia provoca a subida das marés, por que não entender que ela pode fazer subir a nossa maré interior?

Uma pergunta ainda mais importante:

ૐ 

Que tipo de sentimento e pensamento estou cultivando no meu interior?

Em outras palavras: quais energias serão potencializadas em mim?

Vale a pena dizer que a fase da lua não cria nem transmuta nenhuma energia ou humor, ela apenas torna mais forte aquilo que já está presente no seu interior. Quem está emotivo fica mais emotivo, quem está confuso fica mais confuso, quem está meditativo fica mais meditativo, etc.

Conhecendo o Lord Shiva

Shiva é alguém? Ele tem forma? Está sentado em algum lugar?

Ravi Shankar, grande líder espiritual hindu, costuma responder esta pergunta fazendo outra: o que não é Shiva? 


Em uma de suas aulas, Sadhguru, outro grande mestre, explica que “Shiva” significa “não-algo”, aquilo que não é alguma coisa. Soa contra intuitivo, mas é a porta que abre uma conexão com algo maior na vida. 


Shiva é aquilo que não conseguimos interagir com nenhum dos (cinco) sentidos. Nem ver, nem tocar, nem ouvir. Um conceito que nossa cultura nos ensinou como “não existe”, mas “não-algo” não é sinônimo de não existir, apenas não é algo, não é físico, não é “sentível”. Ainda assim, existe. 


Lord Shiva é um convite para olharmos para o que está além daquilo que podemos ver, tocar, ouvir.


Shiva divindade hindu escultura decorativa em madeira

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Terceiro olho

É um lembrete constante de “tudo o que existe se originou do nada (não-algo)”. Inclusive, este é o verdadeiro significado de “terceiro olho”. Não é sobre um orgão que vai surgir na testa e te transformar num tipo de aberração. Não! É só o fato de você conseguir enxergar além do mundo 3D captado pelos olhos.


Shiva é a ideia-base de onde tudo surge, sem a qual nada pode ser. Shiva é a força invisível presente no todo, Shiva é o Universo inteiro.

Conhecimentos científicos refletem conhecimentos milenares

Particularmente, eu acho muito interessante que a Ciência, com sua maturidade do séc. XXI, tenha conhecimento da existência de algumas coisas no Universo, mas ao mesmo tempo, não tem a mínima ideia do que sejam. 


Por exemplo, aquilo que os astrofísicos chamam de “matéria escura”. Sabe-se que existe, mas não conseguimos vê-la, e não sabemos o que ela é.


Bom, o entendimento que temos agora sobre ela é que a matéria escura é uma “cola” que impede as estrelas de saírem de suas galáxias (você já deve ter visto a foto de uma: são como redemoinhos, que giram).


Energia escura, por sua vez, é algo que acelera a expansão do Universo, a energia que “empurra” as coisas, quase como a força contrária à gravidade.


Ambas são denominadas “escuras”, não porque elas não tenham luz, mas porque são obscuras, são mistérios não esclarecidos.


Não estou dizendo que a Ciência e os hindus estejam falando a mesma coisa. Mas se pararmos para pensar que este povo chegou a estas conclusões numa época em que mal se sabia o que era o mundo… é impressionante!

Shiva e o yogi – ser algo vs. ser nada

Ser algo é, simplesmente, ter algum tipo de limite, caber dentro de algum conceito, de algum tipo de régua que estabelece onde começa e onde termina. Ser não-algo é não ter limite algum. 


Ser não-algo é o berço de onde surge a essência do yogi, que transcende sua natureza física até o ponto onde deixa de ser “alguém”, deixa de ter limites e fronteiras.


Pode parecer confuso, mas a ideia é simples: por exemplo, a gente sabe onde é o centro de um galpão, justamente porque existem limites para todos os lados. E, se estes limites forem retirados, o centro passa a ser o ponto onde eu estou, onde quer que seja. Não à toa, nossos ancestrais se viam como o centro do universo. 


Ou seja, aquilo que não tem limites só pode ser não físico. É um trabalho constante de desconstrução dos limites (físicos, emocionais, sociais, dependências, vícios, crenças, etc.) e de construção de expansões, crescimentos e evoluções. Lord Shiva também é conhecido como o deus da destruição e construção.

Como aproveitar essa energia toda

Mais importante do que pedir ou perguntar o que Shiva pode fazer por mim em sua grande noite, eu preciso me perguntar antes:

O que eu posso fazer por mim?

O que eu preciso destruir em mim?

Igualmente importante, é ter o entendimento de que não se trata de um evento único, não se trata de uma noite mágica e milagrosa, mas de um estilo de vida que vou levar ao longo dos meses e dos anos, para que, quando chegar neste dia, eu tenha potencializado aquilo que eu realmente quero potencializar.


Maha Shivratri é o dia simbólico em que a essência da vida toca a terra, é a visita da consciência, da inteligência, da verdade, do princípio. Como quer que eu me encontre, esta energia vai me realçar. De novo: como eu quero ser encontrado? O que eu quero expandir na minha vida? O que eu quero mitigar?

O poder do silêncio

Todos nós, em algum nível, em algum momento, buscamos respostas. Sobre a vida, sobre o trabalho, o propósito, família, escolhas, sobre o próximo passo. Estamos correndo atrás das respostas, fugindo da pressão das perguntas. É por isso que nossa agenda está lotada, nossos bares estão cheios, é por isso que a indústria farmacêutica cresce sem parar…

“OM” não é só um barulho para repetir, de novo e de novo. É o som primordial de tudo, e é a fonte das respostas. 


“OM” não é sobre recitar, é sobre ouvir.

Enquanto não pararmos de perguntar “onde?”, “cadê?”, “como?”, “por quê?”, “e agora?”... não vamos ouvir as respostas. Meditação talvez seja a melhor – talvez a única – maneira de dialogar com algo além do visível e compreensível.  É a maneira de ouvir as respostas e o retorno do que pedimos.


Permita-se mergulhar no silêncio. Mesmo que seja incômodo, mesmo que seja confuso, mesmo que você não saiba ou não consiga, mesmo que seja barulhento. Somente através da prática constante é que você entrará e se manterá na frequência do flow.

Não é sobre um dia (ou uma noite), não é sobre um deus lendário. É sobre a vida, é sobre tudo.

Que Lord Shiva seja um lembrete para você, daquilo que você é, e do que não é, daquilo que você pode ser, ser quem você quiser. Que Shiva seja um lembrete de que sim, você pode.

Feliz Maha Shivratri! 

Feliz Grande Noite de Shiva


GUI MELO

Eu comecei a ouvir falar sobre a Lei da Atração ainda no ensino médio. Os livros e artigos que eu lia eram muito superficiais (alguns ainda são), e dificilmente eu conseguia criar o que eu realmente quero. Parecia que o "segredo" ainda estava guardado. Busquei respostas em muitas religiões e culturas até perceber que o "segredo" está dentro de mim.  


Eu tenho tudo o que preciso, só preciso saber usar.


O autoconhecimento não só me ajudou a criar o que eu quero, como me livrou da ansiedade e dos medos, curando as feridas que pessoas e noitadas não conseguiram curar. Aprendi a controlar minha atenção, gerenciar minha energia, e enxergar além do que os olhos podem ver.


Acontece que isso tudo é bom demais para eu guardar só para mim. Trançando ciências, psicologia e espiritualidade, compartilho o que nossos antepassados sempre disseram, mas de maneira simples e atualizada, para que seja aplicável na vida do século 21.


Sou autor de "Carta de demissão do seu papel de trouxa" e "Notas da tempestade interior".


@eusoumelo



Gui Melo

1 comentário

Carlos
Carlos

Muito interessante,saber sobre Shiva,o conhecimento desperta para o universo, Namastê!

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